Depressão: visão médico-espírita

A depressão é a segunda doença mental mais prevalente no mundo, ficando atrás apenas da ansiedade e afeta de 2 a 19% da população mundial, sendo responsável por 30% das consultas em qualquer especialidade médica, devido aos inúmeros sintomas físicos que produz, que levam a pessoa ao medico ou outro profissional da saúde, muitas vezes sem sequer suspeitar de depressão.

 

Emoções naturais:

 

Frequentemente, confunde-se tristeza com depressão. A tristeza é uma emoção natural, que deve ser vivida e que produz um movimento na alma. As emoções são como um rio, que quando flui natural nutre as margens e gera vida ao longo de seu fluxo e percurso. Mas quando há uma barreira no rio, um dos lados sofre enchente e o outro seca. Assim também com as emoções. Quando vividas com compreensão de sua função psico-afetiva, auxiliam o movimento da alma e podem ser extremamente benéficas. A tristeza, segunda a autora brasileira Marta Medeiros, é o “quartinho do fundo, onde buscamos mexer em nossos guardados”. A alma também possui um quartinho onde guardamos pensamentos, sentimentos, sonhos, experiências traumáticas, idealizações e projetos, dentre outros, que nos reqeuerem atenção. Quando olhamos para o que a nossa tristeza revela, caminhamos no sentido do autodescobrimento, da autosuperação e  do autodomínio, essenciais no processo evolutivo. Como no luto, por exemplo, em que a tristeza natural nos ajuda no processo de adaptação e desapego fundamentais para o estabelecimento de novos ciclos e fases de crescimento pessoal.

Vivemos uma era de grande desafios emocionais. A crise de valores eticos e a desconexão consigo mesmo e com a vida leva o ser humano a sentir-se desamparado e encarar as emoções como inimigas, buscando anestesia. Muitas pessoas buscam os consultórios médicos desejando medicar a tristeza, com antidepressivos e ansiolíticos, em um processo de alienação de si mesmos. Certamente ha medicações que podem ajudar a viver uma fase de luto, por exemplo. No entanto, a tristeza não é depressão e necessita ser vivida, sentida e superada, dando lugar a uma nova fase de alegria, que também passará, por sua vez, dando lugar a outra fase de tristeza, assim como a natureya possui as estações do verao e do inverno que se sucedem , gerando movimento e vida.

 

Sinais e sintomas

 

A depressão é muito mais profunda que a tristeza e caracteriza-se pelos seguintes sintomas, segundo o CID10 (codigo internacional de doenças)  e o DSM4 (Manual de diagnóstico e estatística em saúde mental):

  • Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo, por pelo menos 2 semanas
  • Anedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
  • Sensação de inutilidade ou culpa excessiva, que acomete a grande maioria dos pacientes;
  • Dificuldade de concentração: habilidade freqüentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
  • Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
  • Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
  • Idéias recorrentes de morte ou suicídio ( o que caractariza, por si só, depressão grave).

A etiologia (causa) da depressão, segundo a Medicina, é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, bioquímicos (deficiência de neurotransmissores específicos), hormonais e psico-sociais. Pode ser primária, sem fatores orgânicos que a expliquem, ou secundária, quando consequência de alguma doença, como o hipotireoidismo, por exemplo.

Dentre as causas biológicas possíveis da depressão primária podemos citar  uma dieta deficiente em aminoácidos específicos necessários para a formação dos neurotransmissores, a falta de atividade física (que produz endorfinas, susbtâncias responsáveis pela sensação de prazer) e de banho de sol (responsável pela formação de vitamina D e pela vitalidade orgânica).

Do ponto de vista psicoespiritual, sabemos que o espírito controla o corpo por meio das correntes de pensamento e sentimento que atuam no universo subatômico, ativando genes e controlando o seu funcionamento, como explica o benfeitor Andrè Luiy. Isto tem sido confirmado pelas mais recentes pesquisas no campo da epigenética, que demosntra que uma série de moléculas presentes na membrana celular e no nucleo, bem como o citoesqueleto do citoplasma, atuam regulando a expressão dos genes e, consequentemente, a vida orgânica. Somente 20% dos genes estão permanentemente ativados.Os outros 80%, dentre os quais se encontram os genes da depressão, tem que ser ligados e desligados, por complexos mecanismos biomoleculares que controlam a celula. Moléculas estas que são formadas no organismo pela interação dos sistemas ou advindas da dieta e das substâncias ingeridas ou absorvidas pelo organismo. De tal forma, que o indivíduo não é escravo de sua genética e sim senhor de seu corpo, controlando-o atraves dos padrões de pensamentos e sentimentos conscientes ou inconscientes que atuam no universo atômico regulando as moléculas reguladoras da genética celular.

 

Causas psicoespirituais

 

Precisamos, portanto, conhecer estes padrões psico-espirituais que estão na base do processo depressivo. Segundo a benfeitora Joanna de Ângelis, podemos enumerar algumas posturas da alma causadoras da depressão:

 

  1. Nostalgia devido a vivências felizes ou perdas de bens, dádivas de prazer e júbilos.

 

Quando ficamos presos ao que já passou, negando-nos a desapegar, adaptar ou crescer, pode-se estabelecer na alma um processo de fixação doentia no passado, de natureza autodestrutiva, já que a vida é crescimento e expansão contínuas. Isto vai desde a fixação em relacionamentos, fases felizes, vidas passadas e experiências traumáticas até a recusa a desapegar-se de padrões, na tentativa ilusória de manter a permanência em um universo impermanente , em continua expansão.

Muitas vezes o que há é uma postura de rebeldia espiritual, em que o indivíduo deseja fazer a vida a sua maneira, sem compreesão das leis do universo. Por detrás desta postura há uma “voz consciente ou inconsciente que diz: já que não tenho a vida que quero, não aceito a vida que tenho”. Boa partedas pessoas lida com a vida e com Deus como se o Pai fosse mordomo e devesse servir a seus filhos, ao invés de educá-los. Exigem, chantageiam, solicitam e se a vida não oferece o que foi pedido, da maneira como foi pedido, então se revoltam, às vezes silenciosamente, fechando-se para o movimento de expansão e adaptação necessários ao progresso. Esquecem-se de que a vida è adundância de amor e recursos, sempre pronta a ofertar o necessário e o essencial. No entanto, frequentemente pedimos à vida o que desejamos, distante do essencial e assim, desconectamos da própria alma. Desânimo, base da depressão, significa desconexão com a alma (anima, do latim, alma)  Necessario, portanto, reconhecer que vida não erra endereços e que estamos todos mergulhados no amor divino incondicional, que nos conhece intimamente. Quando as experièncias da vida nos visitam, vem atraídas por nossas necessidades, desejos e posturas interiores (que estão na possibilidade de nosso controle) ou estabelecidas pelo planejamento reencarnatório sábio que obejtiva nosso amadurecimento espiritual. Convém aprendermos isto a fim de aceitar a sabedoria da vida e seguir o fluxo do amor que nos quer despertar para a vida infinita.

 

  1. Prisão no sentimento de piedade por si mesmo, falta de fé em si mesmo e em Deus

 

O vitimismo é o caminho mais rápido para o fundo do poço. Acreditar que os responsáveis pela nossa infelicidade são outros que não nós mesmos, leva-nos a um estado de paralisia do afeto e do cresci mento pessoal. Ninguém pode nos afetar sem nosso consentimento. Porque os outros agem como desejam, mas nós interpretamos os fatos conforme os valores e a significação que tem para nós. Como dizia Nietsche: “Não existem fatos, mas interpretações”. Quando mudamos a forma de olhar a vida, a vida se renova. Se nos damos o que é essencial, amor profundo e nos oliamo com o olhar de amor do Criador, as circunstâncias podem nos abater, mas nada pode nos paralisar. Há que acreditar em si mesmo e ver-se como um digno filho de Deus, cheio de potencialidades e recursos. Se a culpa se instalar, é fundamental evitar o remorso, filho do orgulho, que paralisa a alma, levando ao sofrimento desnecessário e à depressão, e abrigar na alma o arrependimento, filho da humildade, que leva à reparação, por meio do bem, e ao amadurecimento.

 

  1. Fechamento em si mesmo como defesa para não fazer contato com suas dores;

As feridas da alma doem de qualquer maneira. Fugir delas não nos isenta de sentir o seu efeito. Quando não encaramos as nossas feridas elas doém aprofundando. Quando as encaramos e cuidamos de nós mesmos, elas doém cicatrizando. Somos nós quem escolhemos a dor que mata ou a dor que cura.

 

  1. Consequência de movimentos de castração ou repressão; tristezas, incertezas, medos, ciúmes, ansiedades estão na base do processo
  2.  

Os sentimentos de falta, posse e ciúmes são expressões do ego, superficiais, para as quais a psicoterapia encontra recursos de amparo, promovendo o perdão (sem o qual não há cura) e o autodescobrimento. No entanto,  quando olhamos para o que é essencial na alma, só há lugar para um sentimento: gratidão. Independente do que foi vivenciado na vida, temos tudo o que necessitamos, somos capazes de autossuperação e autodomínio. Se honramos a vida que vibra em nós, nos curvamos gratos diante das fontes quea  ofertaram, os nossos pais biológicos, e enxergando o seu amor podemos nos abastecer do que é essencial. Quando a árvore está enraizada no solo, suporta a tempestade e produz com abundância. Nossos pais são o solo da vida, amor que representa o amor de Deus junto a nós. Ainda quando tenham nos ferido, nos deram a vida, que é infinita e suficiente. Se olhamos para esta vida e este amor, ficamo com o que é essencial e desistindo da crítica e do vitimismo encontramos a força, o vigor e a alegria de viver.

 

  1. Negação do amor e exigência de ser amado

A carência afetiva é consequência da desconexão conosco mesmos e com Deus. O amor que nos faz falta não é o amor que não se tem e sim o que se retêm na intimidade da alma. O amor é a estrutura da vida. Vibra em nós como natureza.  Está oculto no mais profundo de si como o diamante no seio da terra. Há que cavar as camadas de ego que o ocultam permitindo que ele venha à tona brilhar a luz de Deus que há em nós, de maneira singular e efetiva. O amor que vem de fora vem atraído pelo amor que nasce de dentro.

Além destas (emuitas outras) causas, acrescentamos os fenômenos obsessivos espirituais que podem causar ou agravar a depressão. Como a mente é uma antena que emite e capta ondas específicas, de acordo com o livre arbítrio do espírito, estamos a todo momento conectados àqueles que se afinizam e se sintonizam conosco, não só pela onda mental irradiada mas sobretudo pelo sentimento cultivado na alma. Estes funcionam como ganchos psíquicos que nos conectam aos espíritos que sentem da mesma forma que nós ou que manipulam nossa mente e vida emocional, a serviço de vinganças, inveja ou desejo de poder. Para vencer a obsessão,  o caminho é o do autoconhcimento e o da renovação moral, que modificam nossa sintonia com a vida.

 

Tratamento 

 

O tratamento da Depressão envolve uma dieta equilibrada, banho de sol de 10 a 15 minutos diários, exercícios físicos (muitas vezes grande desafio para o deprimido, que não consegue nem sair da cama ou de casa e que necessitará do apoio da família e amigos para tal), o uso de medicações específicas e psicoterapia  bem como o tratamento espiritual.

As medicações antidepressivas atuam no sistema nervoso central, influenciando as sinapses, a comunicação entre os neuronios, fazendo com que o nivel de neurotransmissores se altere, modificando o humor. São recursos necessários na depressão moderada a grave (a leve pode ser tratada somente com psicoterapia), que aliviam e dão condições ao enfermo de beneficiar-se do bem estar físico que possibilita o melhor aproveitamento para o trabalho psicológico de autoconhecimento e autossuperação, para estabelecer a cura.

A psicoterapia deve ser aquela que ajuda o homem a sair do vitimismo e assumir a vida com consciência de seu poder real, o do afeto, ajudando-o a se conectar com o amor real e essencial.

O tratamento espiritual envolve a renovação moral e o indivíduo pode beneficiar-se da fluidoterapia através dos passes, que renovam as energias dos corpo físico e do perispírito, e da água fluida, que se transforma em medicamento salutar ofertado pelos bons espíritos em nome de Deus.

Beneficiando-se de tudo isto, o homem poderá compreender que a depressão é um estado passageiro de desconexão com a alma e com o amor, que convida o ser à autotransformação pelo poder do amor. O estado natural do homem é o da alegria de viver, em sintonia com a abundância do universo e o amor incondicional do Pai. Perante isto só cabe o esforço de fazer da vida a melhor possivel, no cumprimento dos deveres e no crescimento contínuo, abrigando na alma a postura da gratidão, com humildade e louvor, dizendo para a vida: “Seja feita, Senhor, a sua sábia e amorosa vontade”.

Andrei Moreira

 

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